quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Entrelaçados

Eu me peguei sorrindo a toa, pensei na hora: "Como ela foi capaz de fazer isso comigo?"

Eu que de uns tempos pra cá era alheio aos sentimentos, fechado por ter sofrido demais por amor, também, pisciano, mas havia aprendido a não entrar mais de cabeça em relacionamento nenhum, e estava conseguindo, tava indo bem, até ela encontrar uma brecha na minha guarda e atacar com precisão.

Já era, do nada penso nela, é como aquelas músicas que a gente fica o dia todo cantarolando, porém pensar nela é muito mais agradável.

Durmo pensando nela, acordo e o primeiro pensamento é ela, e durante o dia vou sorrindo de forma que fica até difícil explicar para as pessoas ao meu redor.

Nos ligamos primeiro fisicamente, combinamos que seria apenas isso, pobres tolos, o destino nos olhou e disse "ah tá que vai ser só isso". Nos ligamos mentalmente também, até aí ainda estávamos no controle, ou pelo menos acreditávamos nisso. Conforme conversávamos soltamos quase sem querer um "eu te amo", e era um sentimento de amor no sentido mesmo de querer o bem do outro, não de paixão, mas isso mudou. Nos ligamos sentimentalmente também, e agora estamos amarrados um ao outro, sem cobranças ou obrigações, apenas por prazer e por amor.

Marcos


Ventania

"Francamente, não sei o que mais temo: o amor, a perda, o sofrimento ou a mim mesma.
Fui feita de fogo. Uma chama queimava intensamente.
E hoje essa chama oscila com essa ventania que um dia me assombrou.
Hoje me consola, ouço em meu íntimo a ventania tomando conta. Ouço meu coração bater mais frio. Ouço cada vez, meu sussurro mais sombrio. " 

Charlotte

Por: Marjorie Makaria


Não faz sentido

Tenho medo. De não encontrar alguém que queira me ouvir. Alguém que suporte minhas crises e fale sobre elas. Que me ouça. Que assista filmes de drama comigo e que reflita sobre eles. Me aguente chorando e filosofando. Dizendo que a sociedade nos deixa triste mas a vida nos inspira. A viver? Morrer?

Tenho medo. De encontrar alguém que me ignore. Alguém que não me suporte. Que me critique pelos meus gostos e que não respeite minhas crenças. Dizendo que o que me inspira, é falso. Errôneo. És tu o certo? Ou o errado?

Nessa fragilidade que me encontro, tenho medo. Sou sensível demais para nosso mundo? Sou fraca? Iludida?

Me sinto triste, fraca e iludida. Simplesmente por acreditar que a vida nos inspira e que vencer não é sinônimo de paz. E que por pensar assim, se vê sofrendo as dores alheias. Chorando pelos desabrigados. Rezando pelos abandonados. É errado? É certo?

Merecemos viver ou morrer? Sigo sem entender.

Marjorie Makaria