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sábado, 29 de outubro de 2016

As Crônicas Cristalinas

● Cristal ●● Banshee ●● My Immortal (Evanescence) ●● Espanha ●



Seus olhos azuis buscavam os dela. Desesperadamente. Ele ouviu alguém choramingando e logo se deu conta de que era ela. Cristal sempre chorava em seus braços. Ela pegava a tristeza dele e se apoderava de tal maneira... que ele mesmo mal suportava. Ver ela triste como ele era como um crime. Pois ela merecia mais. Muito mais.
O choro continuou e Lucian continuou a percorrer as masmorras. Muitos bruxos evitavam o lugar, pois diziam que sua magia era sugada por demônios. Mas era apenas um boato para não chamar atenção. Não havia demônios, apenas Cristal. Mas cá para nós, ela poderia fazer pior do que apenas sugar energia.
     - Lu-Lucian! - A voz instável de Cristal mal era ouvida em meio aos soluços.
     - Cristal? Cristal! Eu estou indo!!! - Disse com um tom desesperado indo em direção ao final do corredor.
O lugar era mal iluminado por tochas. Enquanto Lucian corria, tirou o capuz para poder olhar as celas com mais cautela.
      - Aqui…
      - Cristal… - Ele se ajoelhou em frente a cela, observando o amor da sua vida… acorrentada.
Cristal, mesmo naquele estado caótico, era bela. Seu cabelo platinado lhe emolduravam o belo rosto. Rosto esse que demonstrava desespero e dor.
      - Estoy aquí… - Sussurrou para o amante. - Irão me usar. Daqui a pouco. Tiene que ir. Ahora. - O desespero era explícito e sua voz.
Ele balançou a cabeça negativamente, buscando uma solução.
Porém, um estrondo forte ecoou pelas masmorras. Um grupo de pessoas encapuzados vinha na direção dos dois.
       - Yo te amo. - Sussurrou Lucian, logo beijando com dificuldade a garota, que se esforçava do seu lado da grade.
As correntes mal a deixavam sentir os lábios macios dele, que se pensavam contra as grades enferrujadas. Quando ela abriu os olhos, Lucian estava suspenso no ar. Seu corpo voara com brutalidade contra a parede. Pelo barulho, Cristal se surpreendeu que ele ainda estivesse vivo. A bruxa velha que vinha na frente, tinha a mão erguida. Seu último movimento mandara Lucian longe. O próximo, fez as grades se abrirem.
        - Ah, o amor jovem… Lucian, querido. Cristal é uma arma, não merece ser amada.
O jovem loiro choramingou de dor ainda suspenso contra a parede.
        - O grande ritual irá começar. A tiempo. Levem o sacrifício.
Com isso, os outros encapuzados arrancaram as correntes de Cristal e a suspenderam no ar por pura magia.  
        - Yo te amo. - Sussurrou para Lucian, enquanto mal conseguia de mover.

Em meio a velas e pentagramas, Cristal se viu posta no meio da estrela. Fora do círculo, se via Lucian pendurado de cabeça para baixo em uma árvore. O ritual iria começar. Vários bruxos em círculo entoavam um cântico, enquanto Lucian esperneava. Cristal apenas sentia as lágrimas descerem por seu rosto. Seu amor iria ser morto. E por ela. E em seguida, ela seria descartada.
Quanto mais Cristal sentia as energias fluindo por si, mas desejava a morte. Toda a energia que possuía, pertencia a Lucian. Como personificação cristalina, ampliava sentimentos, poderes. Não só em rituais como aquele. Mas com qualquer um.
Os bruxos continuavam o ritual, direcionando a energia de Lucian para Cristal, que por sua vez ampliava os efeitos ritualístico. Cristal percebeu que seu amor estava prestes do fim quando o mesmo parou de espernear. E ela, enfim se encheu de dor. Toda a dor.
Foi nesse momento que Cristal se remexeu em meio o ritual e sussurrou algo como “vocês não sabem de nada…” e então gritou. Gritou tão alto, mas de modo tão intenso, que seu grito afetou a todos. Cristal assumira uma forma que conhecia de outros lugares. Banshee. Seu grito previa a morte de Lucian. Mas acabou por levar todos os bruxos que ali estavam.
Foi nesse dia que reencontrei Cris. Ela estava toda coberta de sangue, em meio a um ritual caótico. Primeiro peguei Lucian. Foi o exato momento que ela se lembrou de toda sua vida. Se lembrou que fora roubada. Era propriedade de outros bruxos. Mas esses que a possuíam, mal avisados, a subestimaram. Ela se lembrou de seus outros romances e claro, de mim. A Morte, que já a visitei tantas vezes, mas nunca a levei e sempre restaurava suas memórias. As vezes ela me xingava, as vezes nem olhava para mim.
Mas dessa vez, me pediu para levar Lucian para um bom lugar, pois seu amor merecia mais. Mais do que ela poderia dar. 

A Morte 

Por: Marjorie Makaria