quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Não faz sentido

Tenho medo. De não encontrar alguém que queira me ouvir. Alguém que suporte minhas crises e fale sobre elas. Que me ouça. Que assista filmes de drama comigo e que reflita sobre eles. Me aguente chorando e filosofando. Dizendo que a sociedade nos deixa triste mas a vida nos inspira. A viver? Morrer?

Tenho medo. De encontrar alguém que me ignore. Alguém que não me suporte. Que me critique pelos meus gostos e que não respeite minhas crenças. Dizendo que o que me inspira, é falso. Errôneo. És tu o certo? Ou o errado?

Nessa fragilidade que me encontro, tenho medo. Sou sensível demais para nosso mundo? Sou fraca? Iludida?

Me sinto triste, fraca e iludida. Simplesmente por acreditar que a vida nos inspira e que vencer não é sinônimo de paz. E que por pensar assim, se vê sofrendo as dores alheias. Chorando pelos desabrigados. Rezando pelos abandonados. É errado? É certo?

Merecemos viver ou morrer? Sigo sem entender.

Marjorie Makaria


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Fumaça do Cigarro

Fumaça do Cigarro

Aprendi a gostar do cheiro do tabaco
Mesmo odiando aquele cigarro
Pois era o cheiro dele
Quando estava com ele,
o cheiro chegava a ser agradável
Mas quando o mesmo não vinha dele,
a fumaça era insuportável
Não só por incomodar minhas narinas
Mas por me fazer lembrar dele
E me lembrar, como ele me fazia mal

Assim como aquela fumaça
Quando estamos apaixonados, tudo parece adequado
Até a fumaça do cigarro
Mas nos esquecemos que assim como o cigarro
A paixão parece atraente
Se mostra resistente
Nos vicia e nos torna dependentes
De paixões curtas e deprimentes

Entre diversos tipos de vícios
E diferentes tipos de fogo ardente
Prefiro o do cigarro
Pois o mesmo, se detém a minha mente.

Marjorie Makaria


sábado, 29 de outubro de 2016

As Crônicas Cristalinas

● Cristal ●● Banshee ●● My Immortal (Evanescence) ●● Espanha ●



Seus olhos azuis buscavam os dela. Desesperadamente. Ele ouviu alguém choramingando e logo se deu conta de que era ela. Cristal sempre chorava em seus braços. Ela pegava a tristeza dele e se apoderava de tal maneira... que ele mesmo mal suportava. Ver ela triste como ele era como um crime. Pois ela merecia mais. Muito mais.
O choro continuou e Lucian continuou a percorrer as masmorras. Muitos bruxos evitavam o lugar, pois diziam que sua magia era sugada por demônios. Mas era apenas um boato para não chamar atenção. Não havia demônios, apenas Cristal. Mas cá para nós, ela poderia fazer pior do que apenas sugar energia.
     - Lu-Lucian! - A voz instável de Cristal mal era ouvida em meio aos soluços.
     - Cristal? Cristal! Eu estou indo!!! - Disse com um tom desesperado indo em direção ao final do corredor.
O lugar era mal iluminado por tochas. Enquanto Lucian corria, tirou o capuz para poder olhar as celas com mais cautela.
      - Aqui…
      - Cristal… - Ele se ajoelhou em frente a cela, observando o amor da sua vida… acorrentada.
Cristal, mesmo naquele estado caótico, era bela. Seu cabelo platinado lhe emolduravam o belo rosto. Rosto esse que demonstrava desespero e dor.
      - Estoy aquí… - Sussurrou para o amante. - Irão me usar. Daqui a pouco. Tiene que ir. Ahora. - O desespero era explícito e sua voz.
Ele balançou a cabeça negativamente, buscando uma solução.
Porém, um estrondo forte ecoou pelas masmorras. Um grupo de pessoas encapuzados vinha na direção dos dois.
       - Yo te amo. - Sussurrou Lucian, logo beijando com dificuldade a garota, que se esforçava do seu lado da grade.
As correntes mal a deixavam sentir os lábios macios dele, que se pensavam contra as grades enferrujadas. Quando ela abriu os olhos, Lucian estava suspenso no ar. Seu corpo voara com brutalidade contra a parede. Pelo barulho, Cristal se surpreendeu que ele ainda estivesse vivo. A bruxa velha que vinha na frente, tinha a mão erguida. Seu último movimento mandara Lucian longe. O próximo, fez as grades se abrirem.
        - Ah, o amor jovem… Lucian, querido. Cristal é uma arma, não merece ser amada.
O jovem loiro choramingou de dor ainda suspenso contra a parede.
        - O grande ritual irá começar. A tiempo. Levem o sacrifício.
Com isso, os outros encapuzados arrancaram as correntes de Cristal e a suspenderam no ar por pura magia.  
        - Yo te amo. - Sussurrou para Lucian, enquanto mal conseguia de mover.

Em meio a velas e pentagramas, Cristal se viu posta no meio da estrela. Fora do círculo, se via Lucian pendurado de cabeça para baixo em uma árvore. O ritual iria começar. Vários bruxos em círculo entoavam um cântico, enquanto Lucian esperneava. Cristal apenas sentia as lágrimas descerem por seu rosto. Seu amor iria ser morto. E por ela. E em seguida, ela seria descartada.
Quanto mais Cristal sentia as energias fluindo por si, mas desejava a morte. Toda a energia que possuía, pertencia a Lucian. Como personificação cristalina, ampliava sentimentos, poderes. Não só em rituais como aquele. Mas com qualquer um.
Os bruxos continuavam o ritual, direcionando a energia de Lucian para Cristal, que por sua vez ampliava os efeitos ritualístico. Cristal percebeu que seu amor estava prestes do fim quando o mesmo parou de espernear. E ela, enfim se encheu de dor. Toda a dor.
Foi nesse momento que Cristal se remexeu em meio o ritual e sussurrou algo como “vocês não sabem de nada…” e então gritou. Gritou tão alto, mas de modo tão intenso, que seu grito afetou a todos. Cristal assumira uma forma que conhecia de outros lugares. Banshee. Seu grito previa a morte de Lucian. Mas acabou por levar todos os bruxos que ali estavam.
Foi nesse dia que reencontrei Cris. Ela estava toda coberta de sangue, em meio a um ritual caótico. Primeiro peguei Lucian. Foi o exato momento que ela se lembrou de toda sua vida. Se lembrou que fora roubada. Era propriedade de outros bruxos. Mas esses que a possuíam, mal avisados, a subestimaram. Ela se lembrou de seus outros romances e claro, de mim. A Morte, que já a visitei tantas vezes, mas nunca a levei e sempre restaurava suas memórias. As vezes ela me xingava, as vezes nem olhava para mim.
Mas dessa vez, me pediu para levar Lucian para um bom lugar, pois seu amor merecia mais. Mais do que ela poderia dar. 

A Morte 

Por: Marjorie Makaria